12.2.14

Filhos do meio.



Cresci ouvindo meu pai dizer que "filho do meio sofre muito". Não procurei saber detalhes sobre isso (ainda quero e quem souber de livros relacionados ao tema, por favor, me indiquem!), mas tenho observado a necessidade urgente de separar mais tempo ainda para a Maria, que dentro de menos de 3 meses se tornará uma "filha do meio". 
















Quando a Maria nasceu, minha preocupação maior era "manter o padrão" com o Samuel - padrão de atenção, de tempo, de afeto, de tudo. Tinha pavor de pensar que meu filho poderia se sentir angustiado, magoado, infeliz com o nascimento da irmã. Eu sabia que haveria ciúme, mas meu coração ia dilacerando só de imaginar ele se sentindo deixado de lado por qualquer motivo que fosse. Então, depois que a pitchutchuca nasceu, a minha neura se tornou "manter o padrão" com o Samuel. E o bichinho gostou disso, viu? Rsrs... O grande problema foi que eu me estribuchei, me dividi e me multipliquei em 873 Simones diferentes e mesmo assim me senti fracassada. Claro, em alguns momentos senti orgulho de mim mesma, mas parece que mãe sempre foca mais nas próprias falhas do que nas vitórias, não é, não?



Houve uma fase em que Samuel pareceu ter percebido a minha neura e começou a, digamos assim, tirar proveito disso. Ficou manhoso, histérico e muito exigente. Eu pensei: "será mesmo que ele percebeu?". Meu marido diz que sim, mas eu não quis nem pensar muito sobre isso, só queria resolver. Comecei a ser mais firme em algumas situações e a parar de ceder sem necessidade. Comecei a explicar pra ele sobre as necessidades da irmã e sobre os direitos que ela também tinha. Aos pouquinhos, ele foi entendendo e até hoje continuo esse trabalho, claro, mas ele melhorou estratosfericamente e hoje só faço "reparos". Rs... O tempo dele na escola tem ajudado muito nisso. Ele passou a ter a própria vidinha depois que começou a frequentar a escolinha. Lá, ele tem os próprios coleguinhas, atividades que ele ama e, assim, a Maria saiu do "foco" central dele. Foi ótimo para todos, principalmente pra ele. Ele chega sempre feliz de lá e com mil histórias pra contar. Dá um beijinho na irmã e logo se distrai com outras coisas. Sinto que Maria sentiu um grande alívio e ele também, já que saiu de toda aquela disputa exaustiva e de mão única com a irmã. Agora, ele está relaxado e feliz.





Pois é, mas agora a minha neura é com a Maria. Aproveito o turno que Samuel está na escola e me desdobro e me divido de novo em 873 Simones, cuidando da casa e procurando dar o máximo de atenção pra ela enquanto o próximo bebê não chega. Os exames dizem que é uma menina. Por um lado, isso me deixou mais tranquila com relação ao Samuel que poderá manter seu posto de único príncipe da casa e já está bem adaptado a dividir tudo com uma menina. Mas, como toda moeda tem dois lados, o fato de vir outra menina me deixa mais preocupada ainda com relação à Maria. Primeiro porque Maria é super bebezona ainda, tem um perfil tão sensível quanto o do Samuel (embora de um jeito totalmente diferente) e ainda precisa muito de colo. Fico imaginando o que pode passar na cabecinha dela quando me vir amamentar outra menininha, sendo ela ainda tão dengosinha e dependente. Meu coração está em alerta, buzinando alto como sirene de ambulância. Tô na neura mesmo.



Durante as manhãs, preciso preparar o almoço - já que o André vem almoçar em casa todos os dias - e dar uma organizada na bagunça do dia anterior, antes que o Samuel chegue. É incrível como, apesar de limpar o chão da casa todos os dias, mesmo com esse barrigão pesado, no dia seguinte parece que ninguém limpa nada há dias ¬¬. Como tudo acumula rápido! Nessa correria, fico preocupada em fazer alguma atividade com a Maria, mesmo que seja deitar na cama para ficarmos agarradinhas. Mas fazer isso é um desafio enorme! À tarde, Samuel já está em casa e aí puf!, a atenção tem que ser dividida de novo.




Meu pai diz que o conflito de ser filho do meio é o fato de não ser nem o filho mais velho e nem o filho mais novo e que isso acaba por fazê-lo se sentir sempre deslocado, sem lugar. Só para constar, meu pai é filho do meio. Rs... Pois é, como será a dinâmica dos 3 juntos eu ainda nem consigo imaginar muito bem, mas tenho fixo na minha mente que terei que me desdobrar em muito mais de 873 Simones pra dar conta. Que Deus me ajude!

P.S. Se você tem filhos do meio, deixe registrado aqui como foi ou está sendo a sua experiência. Gostarei muito de saber! Beijos com Amor!

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